sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Pisos de caquinhos.



Pisos de caquinhos revelam memórias paulistas.
Quem não se lembra daquele piso de caquinhos vermelhos salpicados de cerâmica? Essa recordação faz parte da história de muita gente e marcou uma geração inteira como parte da decoração nas casas paulistas.
O engenheiro civil, autor, historiador amador e contador de causos, Manoel Botelho, nos contou um pouco mais sobre essa história. Tudo começou quando a Cerâmica São Caetano chegou a cidade de mesmo nome em 1913. Famosa pelos ladrilhos, telhas e tijolos refratários, essa empresa ditou o padrão de excelência da época, modelo que as olarias concorrentes deviam atingir.
Nas décadas de 40 e 50, durante o processo industrial de fabricação, aconteciam muitas quebras. E justamente esse material quebrado, sem valor econômico, era descartado pela fábrica. Até que um dia, um dos funcionários que estava terminando a reforma de sua casa, sem dinheiro para cimentar todo o seu terreno, lembrou-se do refugo dos produtos. Pediu assim para recolher parte desse material descartado e usar na pavimentação do terreno de sua nova casa.
A partir daí, começa a história dos caquinhos paulistas. A maior parte do descarte recebido pelo operário era de cacos cerâmicos vermelhos, mas também havia cacos nas cores amarelas e pretas. Ele assentou os cacos cerâmicos e inseriu cacos pretos e amarelos aqui e ali para quebrar a monotonia do vermelho contínuo.
Os vizinhos passaram a comentar como a casa do funcionário tinha ficado bonita e assim a moda se espalhou pelo bairro. Até os jornais da época noticiavam a nova mania em São Paulo. Depois disso, todos começaram a pedir caquinhos na porta da fábrica. Para a empresa foi uma boa solução, pois deixava de gastar dinheiro com a disposição e enterro do material.
Como a procura começou a crescer, a diretoria comercial descobriu ali uma fonte de renda e passou a vender, a preços modestos, os cacos cerâmicos. A onda do caquinho cresceu tanto que as peças começaram a faltar e o improvável aconteceu! Na falta de cacos, as peças inteiras começaram a ser quebradas pela própria cerâmica. De produto economicamente negativo, sem valor comercial, os
cacos passaram a valer mais que o piso original.
A história dos caquinhos termina nos anos 60, com o surgimento dos prédios em condomínios. A classe média, que usava os caquinhos, foi morar em prédios e essa ‘arte’ se perdeu ao longo dos anos. Atualmente achamos esse tipo de piso apenas nas casas mais antigas. Porém, Manoel, um apaixonado pelos caquinhos, dá uma dica para quem quiser rever ou conhecer esse tipo de piso: ‘o bairro da Vila Mariana é muito rico de casas de classe média com o caquinho cerâmico’.


                           Na casa dos meus pais até hoje tem numa garagem...

Um comentário:

Angélica D disse...

Yo había visto ese piso pero no sabía como se llamaba .. Que tenga un óptimo fin de semana