quinta-feira, 23 de março de 2017

Qual vai ser o próximo escândalo?

"Tem carne podre,
tem a mídia burra e irresponsável que diz que ácido ascórbico é cancerígeno,
tem papelão no frango,
tem mercúrio no peixe,
tem picanha vencida,
tem linguiça feita com carcaça de frango,
tem agrotóxico proibido nas verduras,
tem coliformes fecais na água,
tem soda cáustica no leite,
tem milho transgênico na cerveja,
tem óleo de soja no azeite “extra-virgem”,
tem cevada no café,
tem propinoduto,
tem mensalão,
tem rede 3G que nao funciona,
tem o iPhone mais caro do mundo,
tem analfabeto legislando,
tem merenda escolar roubada,
tem água de poço engarrafada,
tem botijão a gás com menos volume do que informa,
tem medicamento genérico sem controle de qualidade,
tem airbag que não abre,
tem recall de automóveis mal feitos,
tem bomba de combustível fraudada,
tem gasolina adulterada,
tem máquina de cartão de crédito grampeada,
tem cartão de crédito clonado,
tem SMS do Ceará informando que você acaba de ganhar uma casa do Faustão naquele sorteio feito na penitenciária de Fortaleza,
tem uso de celular na cadeia,
tem médico que falta no emprego,
tem superfaturamento nas obras públicas,
tem papel colado na placa do carro para burlar o rodízio,
tem DVD pirata,
tem empregado processando patrão para extorquir dinheiro,
tem empregador que não respeita o funcionário,
tem saques em lojas na greve da polícia,
tem juiz que não respeita as regras de convivência comuns,
tem saque de carga de caminhões acidentados,
tem goleiro Bruno libertado, já empregado e dando autógrafos,
tem desrespeito à cancela do pedágio,
tem desrespeito às vagas de estacionamento,
tem quadrilhas trevestidas de partidos políticos,
tem o bandido que manda na polícia,
tem a suprema corte incompetente e corrupta,
tem aquele que atropela e foge,
tem o Estado que tenta atrapalhar a tua vida,
tem o Estado que te rouba,
tem o Estado que exige coisas que ele mesmo não cumpre,
tem a falta de profissionalismo,
tem o parasitismo,
tem a falta de seriedade e comprometimento,
tem a falta de planejamento,
tem falência ética da classe política,
tem falência ética de funcionários públicos,
tem falência ética do cidadão comum.
Este território, que insistem em chamar de país, é uma farsa.
Você ainda acha que o problema é a carne adulterada?
O problema é o CARÁTER sistemicamente adulterado.
Qual vai ser o próximo escândalo??"


(já li em varios blogs... mas não sei quem é o autor)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Quando a gente ama, mas não gosta mais.

De repente não mais que de repente o amigo próximo fez-se distante – ou será que fomos nós que tomamos aquele velho navio?
Diz a canção que a hora do encontro é também a da despedida. Demorei um tempo para entender a dualidade desse verso: pessoas se (re)encontram numa estação ou cais, enquanto outras tantas se despedem e, muitas vezes, quando nos encontramos com nós mesmos nos despedimos de velhos amigos.
E como é triste reconhecer (e admitir) isso! Dói tanto quanto apartar-se de um grande amor.
Aliás, como reconhecer que uma amizade acabou? As amizades acabam?
Há quem diga que o que é real não tem fim. Que a amizade quando é verdadeira é para a vida inteira. Mas na prática não é bem assim que funciona.
O afeto pode ser para a vida inteira, mas a vontade de estar junto, de trocar, de dividir, não.
O sentimento de amizade pode ser eterno, mas o desejo de manter um relacionamento com um amigo, nem sempre.
Dia desses, tomando dois cafés e uma água com gás com um amigo querido, ele me disse:
– Sabe aquele tipo de amigo que a gente ama muito, muito mesmo, que é capaz de doar um rim caso ele precise, mas que a gente não gosta mais?
Respondi:
– Não! Como é isso?
Foi então que ele me explicou que o amor por um amigo pode ser eterno, mas que para dividir a vida, as alegrias, as dores, os dramas, os cafés, os vinhos, os anos, as belezas e os danos é preciso sentir prazer na partilha, empatia e gostar imensamente da companhia da pessoa.
As amizades contam com uma boa dose compatibilidade – de gênio, de gostos, de pensamentos, de energia – e quando uma das partes muda seu jeito de pensar, sentir e agir no mundo, é natural que a compatibilidade ceda lugar à incompatibilidade e com isso o prazer de estar junto arrefece.
O que o afeto tem a ver com isso? Absolutamente nada! Nenhuma incompatibilidade é capaz de anular o amor que sentimos por um amigo. Nenhuma mudança, evolução ou crescimento de uma das partes é capaz de apagar a importância que certas pessoas tiveram e têm em nossas vidas.
Às vezes acontece de aprendermos a desdramatizar as coisas antes de um amigo, ou a lidar com nossos medos e faltas de maneira mais leve e efetiva, ou, ainda, de mudarmos completamente de ideia acerca de um assunto, tornando os encontros superficiais e chatos. Como trocar com quem não está na mesma sintonia que nós?
Pode acontecer, também, de nos apaixonarmos por alguém e essa paixão nos roubar de nós e de todos que nos cercam; uma mudança de cidade, um insight poderoso na análise, um salto de paraquedas, um tropeço na calçada.
Se tudo pode acontecer a qualquer momento, se nunca somos os mesmos quando acordamos pela manhã, se um homem não se banha no mesmo rio duas vezes, por que teimamos em não aceitar que as amizades também se transformam e que assim como as relações amorosas às vezes terminam?
Talvez meu amigo tenha razão: é possível, sim, amar uma pessoa, mas não gostar mais dela. Constatar isso é mais desconcertante que rever um grande amor. Desorienta. Traz uma sensação incomoda de traição. Mas fingir intimidade (e empatia) é pior que fingir orgasmo, então, o jeito é manter a espinha ereta, a mente quieta, o coração tranquilo e praticar a entrega.

Mônica Montone